quinta-feira , 15 janeiro 2026
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Cultura e Lazer

UnB eterniza legado de Lélia Gonzalez com título honorário e consulta para novo nome em centro de convivência

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Imagine uma universidade pulsando com histórias de resistência e empoderamento, onde o nome de uma mulher negra ecoa como um chamado à igualdade. É isso que a Universidade de Brasília (UnB) está promovendo ao homenagear Lélia Gonzalez, a icônica historiadora, filósofa e militante do feminismo negro brasileiro. Nesta tarde, às 17h, na sede da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), acontece a cerimônia de outorga do título de Doutora Honoris Causa póstumo à pensadora, uma forma simbólica de reconhecer sua trajetória que entrelaça teoria e luta cotidiana. Paralelamente, a UnB abriu uma consulta pública para renomear o Centro de Convivência Negra (CCN) como Centro de Convivência Negra Lélia Gonzalez, transformando-o em um espaço de memória vivo, dedicado à autora que defendeu ações afirmativas e o fortalecimento da juventude negra nas universidades.

Para jovens como vocês, que buscam inspiração em vozes que desafiam o status quo, o legado de Lélia é um farol. A proposta veio da diretora da Faculdade de Comunicação, professora Dione Moura, que destacou em memorando como o CCN é um bastião de resistência e acolhimento, alinhado à luta por equidade racial que Lélia personificava. Em entrevista, Dione enfatizou o simbolismo: celebrar uma teórica do feminismo negro é essencial num país que historicamente negou espaço às mulheres negras. Já o professor de Filosofia Herivelto Pereira de Souza e a mestranda Taynara Rodrigues, envolvidos no pedido do título, veem nisso uma justiça ao pensamento de Lélia, que transitou por filosofia, história, antropologia e comunicação, articulando teoria e prática de modo único. Taynara, que pesquisa a relação da obra de Lélia com a psicanálise, ressalta que a homenagem impulsiona a produção intelectual negra, mantendo viva a perspectiva coletiva da pensadora, que fundou movimentos como o Movimento Negro Unificado (MNU) e o coletivo Nzinga.

O filho de Lélia, Rubens Rufino, diretor-executivo do Instituto Memorial Lélia Gonzalez, compartilha o orgulho da família com essas iniciativas, que reforçam o protagonismo negro na história brasileira. Ele lembra que a mãe dedicou a vida à causa, ensinando que a militância é diária e que nos tornamos negros na consciência e na personalidade. Iniciativas como essa, somadas a outras recentes – como o prédio da ONU em Brasília batizado com seu nome e um mural no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro –, perpetuam sua influência, inspirando gerações. Para Taynara, revisitar a obra de Lélia, com conceitos como amefricanidade, é a melhor forma de homenageá-la, impulsionando um futuro onde o pensamento negro esteja no centro da produção cultural brasileira.

Nascida em Belo Horizonte, Lélia Gonzalez (1935-1994) formou-se em História e Filosofia, mestre em Comunicação e doutora em Antropologia, tornando-se referência no feminismo negro latino-americano com livros como “Lugar de Negro”. Essas homenagens na UnB não são só reparação histórica, mas um convite para que jovens como vocês se conectem com essa potência, construindo um Brasil mais justo e inclusivo.

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