quarta-feira , 15 julho 2026
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Do improvável ao poder: A trajetória de José Antonio Kast até a presidência do Chile

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José Antonio Kast, candidato direitista, foi eleito presidente do Chile após uma vitória expressiva sobre a candidata comunista Jeannette Jara no segundo turno das eleições. Jara reconheceu a derrota publicamente, afirmando em sua conta no Twitter que a democracia havia falado e desejando sucesso ao presidente eleito para o bem do país. Kast, um advogado católico e conservador de 59 anos, nascido em Paine, na região metropolitana de Santiago, é o caçula de dez filhos de imigrantes alemães que se mudaram para o Chile após a Segunda Guerra Mundial. Sua ascensão política foi surpreendente, pois amigos próximos, como Rodrigo Pérez Stiepovic, relembram que a ideia de Kast se candidatar à presidência parecia impensável anos atrás. Ele só obteve sucesso na terceira tentativa, após derrotas em 2017 e 2021, quando perdeu para Gabriel Boric.

A carreira de Kast começou na Universidade Católica, onde se envolveu com o Movimento Guild, fundado por Jaime Guzmán, colaborador de Augusto Pinochet. Ele atuou como vereador e deputado pela União Democrática Independente (UDI), mas se distanciou para fundar o Partido Republicano do Chile. Sua plataforma evoca comparações com líderes como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele, com propostas focadas em segurança pública e migração, temas que preocupam os chilenos no dia a dia das cidades. Kast promete instalar cercas ou valas nas fronteiras com Bolívia e Peru para conter imigrantes ilegais, inspirado em medidas de Trump, e admira a abordagem de “mão de ferro” de Bukele, tendo visitado a megaprisão em El Salvador.

No âmbito econômico, Kast propõe um ajuste fiscal drástico de US$ 6 bilhões em 18 meses, cortando gastos políticos, com linguagem semelhante à de Milei, criticando a “casta política”. Ele rejeita o rótulo de extrema-direita e defende aspectos do regime de Pinochet, como a transição para a democracia, embora negue aceitar violações de direitos humanos. Casado com María Pía Adriasola, com quem tem nove filhos, Kast mantém convicções conservadoras, como a defesa da vida desde a concepção. Analistas como Robert Funk veem em Kast uma “direita nacionalista populista” que ganhou tração, especialmente após agitações sociais recentes no Chile.

Apesar de controvérsias sobre o passado familiar – investigações indicam que seu pai, Michael Kast, foi membro do partido nazista na Alemanha –, Kast afirma que sua história está distante do nazismo. Sua vitória reflete mudanças na direita chilena, e ele se comprometeu com a democracia, parabenizando adversários em derrotas passadas. Para as cidades chilenas, suas políticas podem impactar o cotidiano, com foco em reduzir violência e controlar fluxos migratórios, embora haja dúvidas sobre a viabilidade de suas propostas.

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