O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como uma “vitória do Judiciário brasileiro” a decisão do governo dos Estados Unidos de retirar seu nome da Lei Global Magnitsky. O anúncio ocorreu nesta sexta-feira, após cinco meses de inclusão na lista, que o acusava de graves abusos contra os direitos humanos, detenções arbitrárias e supressão da liberdade de expressão. A remoção, divulgada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), também excluiu a esposa do ministro, Viviane Barci, e a empresa da família das sanções impostas pela gestão de Donald Trump.
Em discurso durante o lançamento do SBT News, na noite de quinta-feira, Moraes destacou que se tratava de uma “tripla vitória”, abrangendo o Judiciário, que não se curvou a ameaças, e a soberania nacional. Ele agradeceu ao presidente Lula pelo empenho nas negociações com os EUA, afirmando que confiava na prevalência da verdade. Lula compareceu ao evento, e Moraes reiterou que, desde julho, pediu ao presidente para não tomar medidas precipitadas, acreditando que os fatos esclareceriam a situação. Os EUA, no entanto, não fizeram anúncios sobre outros ministros do STF ou autoridades com vistos cancelados.
Reações políticas foram variadas. O deputado Eduardo Bolsonaro lamentou a decisão, atribuindo-a à falta de unidade da direita brasileira e agradecendo o apoio de Trump. O senador Flávio Bolsonaro viu o gesto como um passo para a anistia no Brasil e a normalização das relações bilaterais, mencionando a votação de um projeto de lei no Senado. Do outro lado, a ministra Gleisi Hoffmann celebrou como uma vitória de Lula e uma derrota da família Bolsonaro, enquanto o deputado Lindbergh Farias apontou o “desnorteamento” do bolsonarismo, enfatizando a soberania e a diplomacia do governo.