quinta-feira , 15 janeiro 2026
Início Distrito Federal Da rua ao abraço: a transformação inspiradora de Antônia Lopes em Brasília
Distrito Federal

Da rua ao abraço: a transformação inspiradora de Antônia Lopes em Brasília

53

Imagine acordar todos os dias sob um banco de praça, com apenas um pedaço de papelão como escudo contra o frio e a rejeição. Essa foi a realidade de Antônia Lopes aos 12 anos, em Campo Maior, no Piauí, após ser abandonada pela mãe. Mas o que poderia ser o fim de uma história triste se transformou em um relato de resiliência e amor. Hoje, aos 54 anos, Antônia é assistente social na Ação Social do Planalto (ASP), em São Sebastião, Brasília, onde dedica sua vida a acolher cerca de 200 crianças e adolescentes em vulnerabilidade, oferecendo alimentação, reforço escolar e atividades que constroem futuros mais luminosos. “Eu vivi a dor da fome e da rejeição. Hoje, dedico minha vida para que nenhuma criança precise sentir o que eu senti”, conta ela, com um sorriso que ilumina o caminho de quem a conhece. Seu objetivo é expandir o projeto para até 500 atendimentos, provando que o amor pode mudar destinos.

A jornada de Antônia é como um livro de aventuras reais, cheio de reviravoltas que levam à redenção. Após anos nas ruas, uma senhora a resgatou para cuidar de suas filhas, e de lá ela migrou para Recife e Manaus, até chegar a Brasília em 1993. Morando no Varjão, começou trabalhos voluntários com pessoas em situação de rua, despertando o desejo de estudar serviço social. Com o apoio do marido, Arlindo Lopes, que custeou sua graduação, ela mergulhou no conhecimento e na solidariedade. “Se eu tivesse conhecido o serviço social antes, talvez não tivesse passado por tanta dor”, reflete. Seu primeiro estágio na ASP foi um momento mágico: “Quando pisei aqui a primeira vez, eu chorei. Era o lugar que eu sonhava em ter quando estava nas ruas”. De estagiária a contratada, Antônia agora faz visitas domiciliares, identifica famílias necessitadas e acompanha crianças com sensibilidade, priorizando o amor e a urgência do sofrimento.

O impacto de Antônia vai além das paredes da instituição; ele ecoa nas vidas que ela toca, como a de Alessandra Almeida Oliveira, mãe de Gabriel, um adolescente autista, que encontrou nela não só apoio prático, mas um ombro amigo. “Ela sempre cuidou da gente com amor e carinho. Apesar de todas as suas lutas, sempre a vi sorrindo, e isso me inspira”, diz Alessandra. Na ASP, dirigida por Natanry Osório e com uma equipe multidisciplinar, as crianças recebem refeições, acompanhamento psicológico e pedagógico, fortalecendo laços familiares. Para Antônia, cada abraço é uma cura para suas cicatrizes: “As cicatrizes continuam aqui, mas quando eu ajudo uma criança, elas doem menos”. Vendo ex-alunos se tornarem adultos bem-sucedidos, ela afirma que o amor salva, e seu maior desejo é continuar lutando por um mundo onde toda criança encontre segurança e pertencimento. Essa história nos lembra que, mesmo das sombras, pode nascer uma luz que ilumina muitos caminhos.

Conteúdo relacionado

Alexandre de Moraes agenda julgamento de embargos no STF para fevereiro de 2026

Ministro Alexandre de Moraes agenda julgamento virtual de embargos no STF para...

Sedet-DF divulga lista de selecionados para Programa Preparação DF; matrículas começam hoje

Sedet-DF divulga lista de selecionados para o Programa Preparação DF. Matrículas presenciais...

Homem de 31 anos é atropelado após perseguição no DF ligada a briga com menor

Homem de 31 anos é atropelado após perseguição no Distrito Federal, ligada...

Criança ferida no rosto em colisão de veículos no Gama, DF

Criança sofre ferimentos no rosto em acidente entre VW Gol e GM...