O slogan de que Goiás tem a melhor segurança pública do Brasil não se sustenta no Entorno de Brasília. Cidades goianas coladas ao Distrito Federal registram taxas de homicídios que chegam ao dobro ou triplo da média de Goiânia e do próprio DF. O morador que dorme em Luziânia ou Valparaíso e trabalha em Brasília sente na prática essa diferença.
Taxas de homicídios revelam desigualdade na divisa
O Atlas da Violência 2026 mostra Luziânia com 27,1 homicídios por 100 mil habitantes. Isso significa quase três vezes a taxa do Distrito Federal, que ficou em 10,3. Novo Gama registrou 24,1, Planaltina de Goiás 22,3 e Valparaíso de Goiás 21,1.
Esses números vêm de dados de 2024 compilados pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A média estadual de Goiás caiu, mas a queda não chegou com a mesma força às cidades do Entorno. O governador Daniel Vilela, do MDB, assumiu o cargo em 31 de março de 2026 e usa a segurança como bandeira de reeleição.
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2025, aponta 16,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em Goiás. Santa Catarina ficou em 7,6 e São Paulo em 7,8. Goiás aparece em décimo lugar no pilar de Segurança Pública do Ranking de Competitividade dos Estados 2026, com nota 43,4.
Na segurança pública o Estado ficou este ano em décimo lugar, mas já tinha piorado muito em 2024 e ficou em 17º.
Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia
Qualidade dos registros compromete análise dos dados
Goiás ocupa o 23º lugar em qualidade da informação criminal. Isso significa que os números oficiais do Estado são menos confiáveis para comparação nacional. O 19º lugar em mortes a esclarecer mostra que muitas ocorrências ficam sem definição clara.
Fabiana Pulcineli apresentou esses indicadores no podcast Papo Político da CBN Goiânia. Ela destacou que Goiás também aparece em 17º em violência sexual e 13º em feminicídio. Esses rankings vêm do mesmo levantamento que usa dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, do Departamento Penitenciário Nacional, do DataSUS e do IBGE.
Goiás está muito mal nesse item que trata dos registros estatísticos, que é responsabilidade do Estado. Aparece em 23º.
Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia
Daniel Vilela afirmou em 7 de setembro de 2026 que Goiás conquistou sua independência porque é um Estado seguro. Ele repetiu o mesmo discurso em maio ao anunciar pacote de valorização das forças de segurança. Ronaldo Caiado, que deixou o governo para disputar a Presidência, é o autor da política que Vilela apresenta como continuidade.
Entorno exige plano com metas e prazos
O Entorno concentra o problema porque a população que trabalha no Distrito Federal mora nessas cidades goianas. O crescimento populacional acelerado não foi acompanhado por serviços de segurança proporcionais. O governo de Goiás é o responsável direto pela segurança nessas áreas.
O morador de Luziânia, Novo Gama, Valparaíso, Planaltina de Goiás, Cidade Ocidental ou Águas Lindas precisa de resposta concreta. Um plano específico para o Entorno deve trazer meta numérica, prazo definido e dados publicados em relatórios oficiais. Sem isso, o slogan de melhor segurança pública continua distante da realidade da divisa.