Naquela noite de segunda-feira, o coração de uma família pulsava com um fiapo de otimismo enquanto a ambulância cortava as ruas de Ceilândia rumo ao Hospital de Base. Allany Fernanda, uma garota de apenas 13 anos, havia sido baleada na cabeça, mas reagira bem ao tratamento inicial, acendendo uma centelha de esperança. Horas depois, porém, a madrugada trouxe o silêncio pesado: uma mensagem simples anunciou que Allany partira, tornando-se a 25ª vítima de feminicídio no Distrito Federal em 2025, a segunda adolescente a perder a vida assim. Em meio à tristeza, as redes sociais se encheram de homenagens, fotos sorridentes e frases que ecoavam “dor, saudade e justiça”, transformando o luto em um coro unido pela memória de uma jovem cheia de sonhos.
A investigação, liderada pela delegada Mariana Almeida da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, revela uma trama de coragem e resistência. Carlos Eduardo Pessoa, 20 anos, o suspeito preso em flagrante, tentou uma versão confusa de invasão por um rival, mas as marcas de mordidas no seu corpo e o depoimento de uma amiga de Allany pintam um quadro de luta feroz. Na quitinete simples e empoeirada onde tudo aconteceu, peritos encontraram vestígios de uma batalha que Allany travou até o fim. A mãe, Ivani Oliveira, relembra os últimos momentos com a filha, de chamadas de vídeo cheias de afeto, destacando o vínculo forte que agora impulsiona a busca por respostas. Enquanto Carlos, com histórico de crimes, aguarda transferência para a Papuda após prisão preventiva, a polícia aprofunda laudos para honrar a verdade que Allany deixou.
Mas além da tragédia, surge uma luz inspiradora: histórias como a de Allany e Géssica Moreira de Sousa, outra adolescente vítima em fevereiro, estão despertando conversas vitais entre jovens sobre empatia e proteção. Famílias se unem, comunidades se mobilizam, e canais como o 180 e as Deams se fortalecem como aliados na prevenção. É um chamado para que cada um de nós, especialmente os mais novos, transforme a saudade em ação, construindo um mundo onde a esperança vença a violência e vozes como a de Allany ecoem para sempre.