A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou na noite desta segunda-feira (15) uma sessão solene para celebrar os 40 anos do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da Universidade de Brasília, mas o evento expôs de forma clara as dificuldades persistentes enfrentadas pelo Sistema Único de Saúde mesmo após décadas de contribuições acadêmicas.
Reconhecimento tardio em meio a desafios
Proposta pelo deputado Fábio Felix (PSOL), a homenagem reuniu representantes do Nesp, da UnB, movimentos sociais e profissionais de saúde. Pesquisadores como Maria Helena Magalhães e Emerson Elias Merhy foram destacados por seu trabalho ao longo de quatro décadas, período em que o núcleo ajudou a moldar políticas públicas, embora o SUS ainda sofra com subfinanciamento e desigualdades regionais.
A sessão reforçou a importância histórica do Nesp na formação de profissionais e na produção de conhecimento aplicado à saúde coletiva, mas também serviu para lembrar que avanços conquistados correm risco diante de ameaças constantes ao modelo de atenção universal.
Papel do nesp na defesa do sus
Durante o encontro, Fábio Felix ressaltou a trajetória do núcleo e sua influência direta na estruturação do sistema de saúde brasileiro. O deputado apontou que o Nesp atuou tanto na pesquisa quanto na defesa de princípios como equidade e acesso integral, elementos que permanecem sob pressão em diferentes gestões.
O Nesp tem sido fundamental para a construção e o fortalecimento do SUS no Brasil. São quatro décadas de dedicação à pesquisa, ao ensino e à defesa da saúde como direito de todos
Fábio Felix
Apesar da solenidade, participantes manifestaram preocupação com o futuro do sistema, indicando que homenagens pontuais não substituem a necessidade de investimentos estruturais e políticas consistentes para garantir os direitos previstos na Constituição.