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O perigo persistente do transporte clandestino em Brasília

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Apesar da redução de 74,37% nas autuações por transporte clandestino entre 2024 e 2025, passando de 956 para 711 casos, a prática continua representando um risco significativo para moradores da capital e do Entorno que buscam opções mais baratas para viagens interestaduais ou deslocamentos locais. Especialistas alertam que a fiscalização, embora importante, não é suficiente para erradicar o problema, que oferece viagens a preços até 50% inferiores aos de empresas regulares, como uma passagem para Goiás por R$ 90. Locais como a área entre o ParkShopping e a Rodoviária Interestadual de Brasília, além da saída da Estação Shopping do metrô, são pontos comuns onde recrutadores anunciam destinos aos gritos, permitindo flexibilidade de data e local, mas sem detalhes sobre veículos ou segurança.

Fábio Querino, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), destaca que empresas legais cumprem requisitos rigorosos de manutenção, como pneus em bom estado, extintores válidos e seguros, contrastando com os clandestinos, que frequentemente apresentam irregularidades e motoristas exaustos devido à falta de revezamento. O advogado Rosan Coimbra reforça que passageiros abrem mão de garantias legais, como seguro obrigatório e responsabilidade objetiva, enfrentando dificuldades em ações judiciais por acidentes, inclusive com possível redução de indenizações por “culpa concorrente”. No Distrito Federal, motoristas irregulares infringem o artigo 231 do Código de Trânsito Brasileiro, sujeitos a multas de R$ 293,47 e remoção de veículos, com operações contínuas do Detran-DF.

Usuários, como uma moradora de Valparaíso que opta pelo serviço para evitar atrasos no trabalho, citam a lotação e demora do transporte público como motivos, preferindo o conforto apesar dos riscos de acidentes, assaltos e falhas mecânicas. O professor Paulo Cesar Marques da Silva, da Universidade de Brasília, atribui a persistência do clandestino à oferta inadequada de transporte regular, sugerindo que ouvir a população e investir em melhorias, como a renovação de frota e programas como o Vai de Graça, promovidos pelo secretário Zeno Gonçalves, seriam mais eficazes. Um exemplo trágico é o acidente de outubro de 2023, quando um ônibus clandestino capotou, matando sete pessoas após irregularidades detectadas pela Polícia Rodoviária Federal.

Plataformas digitais de viagens surgem como alternativa, mas Rosan Coimbra adverte que elas compartilham responsabilidade por falhas, podendo ser acionadas judicialmente se venderem passagens de empresas irregulares.

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