quinta-feira , 16 abril 2026
Início Política Hugo Motta sob fogo cruzado: desgaste na presidência da Câmara atinge pico com críticas e protestos
Política

Hugo Motta sob fogo cruzado: desgaste na presidência da Câmara atinge pico com críticas e protestos

129

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), enfrenta o maior período de desgaste desde que assumiu o cargo em fevereiro. Críticas vindas tanto de governistas quanto de oposicionistas surgiram em meio a controvérsias legislativas e institucionais, como a tumultuada sessão de votação do Projeto de Lei da Dosimetria, marcada por uso de força policial contra o deputado Glauber Braga (PSol-RJ), retirada de jornalistas do plenário e interrupção do sinal da TV Câmara. Uma pesquisa da agência Ativaweb, realizada em 9 e 10 de dezembro, revelou que 72,8% das menções a Motta nas redes sociais foram negativas, com mais de 7 milhões de referências ligadas principalmente àquele episódio, onde apenas uma em cada dez manifestações não era crítica.

O desgaste não se restringe ao incidente recente. A condução de pautas como a PEC da Blindagem, criticada por ampliar garantias a congressistas contra investigações da Polícia Federal, gerou rejeição inclusive do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e foi sepultada após manifestações em setembro. Motta também acionou judicialmente o Sindicato dos Trabalhadores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica da Paraíba por outdoors em João Pessoa que o acusavam de proteger políticos criminosos. Relações com o governo se tensionaram desde junho, com a quebra de acordos sobre o IOF e rompimentos públicos, como com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), que o chamou de imaturo. Cientistas políticos, como Leonardo Paz Neves da FGV, apontam que Motta carece de base sólida, equilibrando-se entre governo e oposição de forma ineficaz, o que agrava conflitos institucionais.

Protestos previstos para hoje em várias cidades colocam Motta como alvo principal, associando-o ao PL da Dosimetria, visto por 70% das menções como retrocesso ou anistia indireta a condenados por tentativas de golpe. Mobilizações articuladas por grupos como Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio de artistas e influenciadores, defendem a devolução do Congresso ao povo, ecoando atos de setembro contra propostas semelhantes. No Senado, o projeto será relatado por Esperidião Amin (PP-SC), enquanto o governo busca barrá-lo na CCJ ou via veto presidencial. Analistas como Pedro Hermílio Villa Boas Castelo Branco, do Iesp-Uerj, alertam que a falta de acordos prévios compromete a credibilidade do Parlamento e o equilíbrio institucional.

Conteúdo relacionado

Câmara do DF aprova lei contra discriminação etária, mas idosos seguem à margem do emprego

Em meio a crescentes reclamações sobre discriminação etária e exclusão de idosos...

Câmara Legislativa do DF aprova proibição da escala 6×1 em terceirizações

Na última terça-feira, 9 de abril de 2026, a Comissão de Economia,...

CAS aprova isenção de taxas para mulheres vulneráveis em concursos após 7 anos de atraso

Em uma decisão que expõe as persistentes barreiras enfrentadas por mulheres vulneráveis...

Comissão da CLDF aprova projetos contra crimes, mas insegurança persiste no DF

Comissão de Segurança da CLDF aprova seis projetos para combater violência escolar,...