Mais um caso de feminicídio abala o Distrito Federal, marcando o 26º registro neste ano. Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, cabo e musicista da Fanfarra do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, no Setor Militar Urbano, foi encontrada carbonizada após um incêndio no quartel. O corpo apresentava um corte profundo no pescoço, e o soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, confessou o crime, admitindo ter golpeado a vítima com um punhal e provocado o fogo para destruir provas antes de fugir. O incidente ocorreu na tarde de sexta-feira, por volta das 16h, e foi atendido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, que localizou o corpo durante o rescaldo.
Apaixonada pela música, Maria de Lourdes, conhecida como Malu, ingressara no Exército há cinco meses e se destacava na carreira. Nas redes sociais, ela compartilhava fotos com seu saxofone, expressando dedicação ao estudo e ao aprimoramento profissional. Solteira e focada na trajetória militar, preparava-se para concursos no Corpo de Bombeiros e na Força Aérea Brasileira. Segundo a advogada Leila Santiago, representante da família, a vítima rejeitava relacionamentos no ambiente de trabalho e não tinha qualquer vínculo com o agressor. A advogada aponta que o crime pode ter sido motivado pela recusa em aceitar autoridade feminina, já que Maria coordenava o soldado naquele dia e foi atraída para uma sala sob pretexto de problema técnico.
Kelvin Barros da Silva apresentou versões contraditórias à polícia, inicialmente negando o crime e depois alegando discussões por suposto relacionamento ou surto da vítima. Ele foi capturado no Paranoá pela 2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte, e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva por feminicídio, furto de arma, incêndio e fraude processual. A arma da vítima foi encontrada em um bueiro no Itapoã, mas o celular permanece desaparecido. O Exército instaurou inquérito e anunciou a exclusão do soldado, enquanto especialistas como Ivonete Granjeiro destacam a necessidade de julgamentos na Justiça Comum e fortalecimento de políticas contra violência de gênero.
Lucia Bessa, do Instituto Viva Mulher, enfatiza a importância de educação, acolhimento e punição em instituições militares para prevenir casos semelhantes, criticando a cultura hierárquica que pode mascarar comportamentos abusivos. A família aguarda o laudo do Instituto Médico Legal para o sepultamento, e as investigações prosseguem com envolvimento da Polícia Civil e do Batalhão de Polícia do Exército.