Em Padre Bernardo, no coração de Goiás, a aposentada Joana Santana, de 75 anos, encontrou uma forma inusitada de presentear a família neste Natal: repelentes contra moscas. Mas por trás dessa escolha, há uma história de resiliência. Desde o deslizamento de 12 de dezembro, quando 3 mil toneladas de lixo cederam no aterro gerido pela empresa Ouro Verde, Joana e seus vizinhos enfrentam cheiros fortes e insetos invasores. No entanto, ela transforma a frustração em ação, comprando produtos para proteger sua casa e até visitando a filha em Águas Lindas para recarregar as energias. “Estou tomando remédios, mas não desisto de cozinhar e viver aqui”, conta ela, destacando como a comunidade se une para superar o desgaste, vendo no período chuvoso uma oportunidade para o Estado intensificar cuidados ambientais.
Isaías Batista, policial militar aposentado de 54 anos, que mora há cinco anos em frente ao lixão, também compartilha otimismo em meio ao retorno dos mosquitos e do mau cheiro. Ele lembra como os caminhões vazando chorume já eram um incômodo antigo, mas o recente incidente reacendeu a sensação de abandono – só que agora com uma pitada de esperança. “Trouxe minha mãe para visitar, envergonhado, mas sei que as coisas vão melhorar”, diz Isaías, que nota uma leve melhora desde o primeiro desmoronamento em junho. Enquanto isso, Magda Lúcia Lopes Costa, de 72 anos e moradora há 28 anos, recorda os dias caóticos de baldes cheios de moscas queimadas, mas celebra os avanços: “Gastei mais de R$ 500 em veneno, mas agora abro a porta com mais confiança”. Esses relatos pintam um quadro de vizinhos que, em vez de se renderem, buscam reembolso e soluções coletivas.
A Secretaria do Meio Ambiente de Goiás (Semad-GO) está no centro dessa virada positiva, com ações emergenciais que já removeram o lixo para uma célula temporária, evitando nova contaminação no córrego Santa Bárbara. Monitoramento constante da água e a proibição de seu uso, aliada à distribuição de água potável pela Ouro Verde, garantem segurança aos moradores. Um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) de julho impulsionou medidas como a construção de lagoas de chorume e o recobrimento de pilhas de lixo, enquanto discussões para um aditivo prometem recuperação ambiental de longo prazo. A Prefeitura de Padre Bernardo acompanha de perto, cobrando esvaziamento de lagoas de risco, pavimentando o caminho para um futuro mais limpo e saudável na região.