quinta-feira , 16 abril 2026
Início Cultura e Lazer Quando o granizo caiu como gelo para JK: A jornada modernista que construiu Brasília
Cultura e Lazer

Quando o granizo caiu como gelo para JK: A jornada modernista que construiu Brasília

128

Imagine um final de tarde em 1958, no coração do Planalto Central, onde amigos brindavam com uísque ao presidente Juscelino Kubitschek, celebrando as vitórias de uma era encantadora. Sem gelo à vista, o céu se fechou de repente, derramando uma chuva de granizo que pareceu atender aos desejos de JK, como se a natureza conspirasse com sua visão ousada. Era o auge de uma época harmoniosa no Brasil, marcada pela Bossa Nova de João Gilberto, o surgimento do Cinema Novo e a vitória na Copa do Mundo com Pelé e Garrincha brilhando. Nesse cenário vibrante, a construção de Brasília acelerava, sob o traço genial de Oscar Niemeyer, anunciando o apogeu do modernismo brasileiro – um movimento que unia arquitetura, arte e inovação para moldar o futuro.

A semente dessa revolução estética foi plantada anos antes, quando JK, como prefeito de Belo Horizonte, abraçou o modernismo ao criar o Conjunto Arquitetônico da Pampulha em 1943. Inspirado por Lucio Costa e Niemeyer, e influenciado pelo projeto do Ministério da Educação de 1937, JK reuniu talentos como Burle Marx, Cândido Portinari e Alfredo Ceschiatti para erguer uma igreja, um cassino e outros espaços ao redor de um lago artificial. Era a busca pela “obra de arte total”, onde formas arrojadas rompiam com o passado, integrando escultura, pintura e paisagismo em um só corpo vivo. Em 1944, JK elevou essa visão com a Exposição de Arte Moderna em Belo Horizonte, reunindo 134 obras de 46 artistas, incluindo Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Oswald de Andrade. Palestras e debates acalorados mobilizaram a cidade, inserindo Minas Gerais no debate nacional sobre desenvolvimentismo e vanguarda, e preparando o terreno para as reflexões pós-guerra.

Essa herança floresceu em Brasília, onde a integração de arte e arquitetura se tornou o coração da nova capital. Artistas como Athos Bulcão, com mais de 260 obras espalhadas pela cidade, Burle Marx nos jardins do Itamaraty e Alfredo Ceschiatti com esculturas icônicas como Os Candangos na Praça dos Três Poderes, transformaram o espaço urbano em uma galeria viva. Não esqueçamos Marianne Peretti, a única mulher na equipe de Niemeyer, cujos vitrais na Catedral e no Panteão da Pátria trazem leveza e grandeza. Para vocês, jovens sonhadores, Brasília não é só concreto: é um convite à criatividade, provando que visões ousadas podem moldar cidades inteiras e inspirar gerações a construir um amanhã mais belo e integrado.

Conteúdo relacionado

GDF promove ação comunitária com serviços gratuitos no Gama neste sábado

Participe da ação comunitária do GDF no Gama neste sábado, 4 de...

Restaurantes comunitários do DF servem moqueca de peixe na Sexta-feira da Paixão

Restaurantes comunitários do DF oferecem moqueca de peixe na Sexta-feira da Paixão...

Caesb inicia instalação tardia de apenas 50 pontos de hidratação em parques de Brasília

A Caesb inicia instalação tardia de apenas 50 pontos de hidratação em...

Ibaneis Rocha anuncia reforma do Cine Itapuã no Gama após 21 anos fechado

Governador Ibaneis Rocha anuncia reforma do Cine Itapuã no Gama, fechado há...