Imagine um final de tarde em 1958, no coração do Planalto Central, onde amigos brindavam com uísque ao presidente Juscelino Kubitschek, celebrando as vitórias de uma era encantadora. Sem gelo à vista, o céu se fechou de repente, derramando uma chuva de granizo que pareceu atender aos desejos de JK, como se a natureza conspirasse com sua visão ousada. Era o auge de uma época harmoniosa no Brasil, marcada pela Bossa Nova de João Gilberto, o surgimento do Cinema Novo e a vitória na Copa do Mundo com Pelé e Garrincha brilhando. Nesse cenário vibrante, a construção de Brasília acelerava, sob o traço genial de Oscar Niemeyer, anunciando o apogeu do modernismo brasileiro – um movimento que unia arquitetura, arte e inovação para moldar o futuro.
A semente dessa revolução estética foi plantada anos antes, quando JK, como prefeito de Belo Horizonte, abraçou o modernismo ao criar o Conjunto Arquitetônico da Pampulha em 1943. Inspirado por Lucio Costa e Niemeyer, e influenciado pelo projeto do Ministério da Educação de 1937, JK reuniu talentos como Burle Marx, Cândido Portinari e Alfredo Ceschiatti para erguer uma igreja, um cassino e outros espaços ao redor de um lago artificial. Era a busca pela “obra de arte total”, onde formas arrojadas rompiam com o passado, integrando escultura, pintura e paisagismo em um só corpo vivo. Em 1944, JK elevou essa visão com a Exposição de Arte Moderna em Belo Horizonte, reunindo 134 obras de 46 artistas, incluindo Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Oswald de Andrade. Palestras e debates acalorados mobilizaram a cidade, inserindo Minas Gerais no debate nacional sobre desenvolvimentismo e vanguarda, e preparando o terreno para as reflexões pós-guerra.
Essa herança floresceu em Brasília, onde a integração de arte e arquitetura se tornou o coração da nova capital. Artistas como Athos Bulcão, com mais de 260 obras espalhadas pela cidade, Burle Marx nos jardins do Itamaraty e Alfredo Ceschiatti com esculturas icônicas como Os Candangos na Praça dos Três Poderes, transformaram o espaço urbano em uma galeria viva. Não esqueçamos Marianne Peretti, a única mulher na equipe de Niemeyer, cujos vitrais na Catedral e no Panteão da Pátria trazem leveza e grandeza. Para vocês, jovens sonhadores, Brasília não é só concreto: é um convite à criatividade, provando que visões ousadas podem moldar cidades inteiras e inspirar gerações a construir um amanhã mais belo e integrado.